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Festa do Dia das Mães na escola: e se fizéssemos diferente?

Festa do Dia das Mães na escola: e se fizéssemos diferente?

 

Por Silvia Adrião – Integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo

O texto que aqui compartilho pretende provocar um novo olhar sobre algumas práticas adotadas em diversas escolas pelo Brasil, partindo de alguns princípios fundamentais. Os princípios são: a escola deve ser um espaço que acolhe todos. E todos quer dizer que qualquer aluno, com todo tipo de família, deve se sentir incluído na escola. Outro princípio é o de acreditar que a escola possa ser uma das ferramentas de mudança para uma sociedade mais justa e sustentável. Neste caso, a escola deve ficar atenta para não reproduzir lógicas que são externas a ela como, por exemplo, padrões de consumo. E, por fim, um último princípio fundamental é o de proporcionar acesso a tudo de mais belo e importante que a humanidade já criou e que, se não fosse pela escola, a grande maioria dos alunos não teria acesso. Aqui faço menção a tradições culturais, artísticas, musicais e históricas que são direitos de aprendizagem e que, muitas vezes, por privilegiar temas mais mercadológicos, a escola deixa de lado.

Quando falamos em festas e eventos escolares, estes princípios devem ser levados em consideração. Vamos pensar, por exemplo, na festa do Dia das Mães. Sou mãe, amo celebrar esta condição, mas não posso deixar que minha vontade de celebrar se sobreponha à dificuldade em que se encontrará alguma criança que, no caso de uma festa como esta, não tenha mãe. A escola precisa criar momentos de integração para toda a comunidade, mas pode buscar outras formas de trazer esta família para dentro sem que seja pela reprodução de padrões familiares.

Outra questão que, na minha opinião, é inadequada, é a compra e a elaboração de lembrancinhas de Dia das Mães ou Dia do Pais, pelas escolas. Este tipo de prática, reprodutora de uma lógica de consumo, não deveria ser adotada no ambiente escolar. Geralmente, estas lembrancinhas passam longe das mãos das crianças, sendo obrigação dos professores prepará-las e deixá-las “perfeitas”. Acredito que, se quisermos preparar algo precioso para quem cuida da criança, para um familiar ou alguém especial, este algo deve ser totalmente autoral da criança. Um desenho, uma colagem, uma escultura de argila ou de sucata, enfim, a criança é capaz de criar coisas belíssimas, quando lhe é dada a oportunidade de assim fazer. O olhar do adulto é que deve mudar. Desenhos prontos e estereotipados não deveriam ser utilizados.

Já disse em outras ocasiões: cada vez que damos um desenho ou imagem pronta para a criança reproduzir, colorir ou tentar imitar, estamos dizendo a ela, de modo subliminar, que ela não é capaz de criar algo sozinha. E assim vemos crianças, cheias de potencial, dizendo, aos seis anos de idade, “eu não sei fazer uma árvore “(por exemplo). Isso não quer dizer que não podemos apresentar muitas imagens de árvores, observar a natureza, conhecer árvores de artistas, enfim, aí entra o discurso do repertório. A escola deve oferecer repertório rico e diversificado de tudo que puder, para promover uma ampliação de conhecimento. O exemplo é o de uma simples árvore, mas passa também pela escolha de uma música para a festa junina ou pela projeção de um filme. Tenho certeza que há filmes que a criança não precisa estar na escola para conhecer, em contrapartida, tem belíssimos e enriquecedores filmes que, se não for pela escola, dificilmente os alunos iriam buscar sozinhos. Estamos avançando no século XXI e a educação precisa acompanhar as demandas da sociedade em que vivemos e superar antigas práticas. Inovar, se reinventar e ter coragem para se transformar.

Bom trabalho a todos nós.

Foto: Pixabay

Colunista Rebrinc - Silvia Adrião

Saiba mais sobre a colunista Silvia Adrião:

Sou pedagoga, especialista em Construtivismo/Educação e Mestre em Sociologia da Educação.Tenho mais de 20 anos de experiência no trabalho com crianças e na defesa da cultura infantil. Sou pesquisadora e apaixonada por Literatura infantil e pela abordagem de ensino Italiana de Reggio Emilia. Encontrei na Rebrinc um espaço para ampliar o debate e o alcance das reflexões sobre infância.

Fale com a autora: contato@rebrinc.com.br

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