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Beat Bugs – O Desenho dos Beatlemaníacos

Beat Bugs – O Desenho dos Beatlemaníacos

 

Quem escreve para a seção De Olho na Mídia desta semana é Priscila Norcia, cocriadora do Guia para Mães Incríveis e integrante da REBRINC. Ela fala sobre o Beat Bugs e lança um desafio pela valorização da música brasileira. 

 

Estreou recentemente na Netflix o desenho que todo beatlemaníaco sempre quis ver. Beat Bugs é uma série animada para crianças de 2 a 5 anos com a trilha sonora mais desejada do mundo: os Beatles. Como se não bastasse, a interpretação fica a cargo de artistas do quilate de Eddie Veder, Chris Cornell e Pink, entre outros. Os clássicos são apresentados com novos arranjos, a cargo de Daniel Johns, do Silverchair.

Um dos muitos méritos do desenho é unir pais e filhos em torno do mesmo tema. Eu assisti aos primeiros capítulos com meus filhos, com muita emoção.

O desenho é um primor de produção e toca os adultos, que reconhecem os clássicos mesmos nos acordes mais discretos, antes do ápice com a música-tema completa aparecer.

A caracterização dos personagens talvez seja o ponto baixo das histórias. Alguns são claramente inspirados em grandes animações, como “Meu Malvado Favorito” e “Tinker Bell”. Mas é tudo feito com tanta competência e graça que até a falta de originalidade, neste caso, é perdoada.

Em Beat Bugs a música é mais do que trilha sonora, ela é a própria história

Mais do que apresentar a música do grupo mais amado do mundo, Beat Bugs dá um contexto quase literal para cada letra. Assim, “Help” é tema quando um insetinho fica preso num pote e não consegue sair. “Come Together” apresenta os fofos bichinhos aprendendo a trabalhar em conjunto para depois aproveitar com muita diversão o produto da sua união. E até “Lucy in the Sky with Diamonds” é apresentada como uma libélula lisérgica que ajuda a pequenina da turma a ter bons sonhos.

Nesse sentido, as crianças que assistem ao desenho em inglês ou que conseguem compreender a letra das músicas têm um ganho a mais. A música nunca está ali apenas como “fundo”, ela é parte integrante da história. Com isso, adquire um significado que a criança leva na memória.

Uma nova história poderia ser contada

No momento que percebi a engenhosidade do desenho me dei conta, também, do seu maior defeito: são os Beatles. Calma, eu também adoro o quarteto inglês. Desde pequena minha filha sabia o que significava a imagem de quatro homens atravessando uma faixa de pedestres. Mas eu sou brasileira e amo o Brasil. E pretendo que meus filhos amem esse país e essa cultura tanto quanto eu.

Ao ver Beat Bugs ser executado com tanta beleza e competência eu fiquei pensando: por que não temos uma animação dessas, com músicas brasileiras?

Imagino que agora você pensou na Galinha Pintadinha. Verdade que, por mais polêmica que seja, ela teve o mérito de fazer renascer as cantigas de roda na infância. Um cancioneiro brasileiro legítimo, que estava enfraquecido. Em comparação a Beat Bugs, no entanto, a execução é infinitamente inferior. Mas não me refiro às cantigas de roda.

Beat Bugs me fez pensar na música brasileira. Você já pensou num desenho absolutamente lindo, que criasse enredos para músicas brasileiras populares clássicas? E que as executasse com originalidade e respeito? Músicas saudosas como “Menino da Porteira”, de Sérgio Reis? Ou “A Vida do Viajante”, de Luiz Gonzaga? Ou “Anunciação”, de Alceu Valença? “De Volta pro Aconchego” poderia ser interpretada por Marisa Monte. Ou talvez “A Banda” poderia vir na voz de Ney Matogrosso.

Enfim, você entendeu. Uma animação de qualidade, que honrasse os clássicos brasileiros e os apresentasse a uma nova geração. Onde pais e filhos pudessem curtir juntos.

Nós temos alguns dos melhores músicos do mundo nesse país. E alguns dos melhores animadores também. Se juntássemos esses dois talentos com a competência e sensibilidade que foi feita em Beat Bugs, seria lindo!

E aí, animadores brasileiros? Quem se habilita? As crianças brasileiras agradecem – e os pais também!

 

Imagem: Divulgação

 

O De Olho na Mídia reúne críticas e sugestões sobre conteúdos audiovisuais. Mande seu comentário sobre programas de TV, rádio, jogos eletrônicos ou cinema, feitos para o público infantojuvenil ou que estejam acessíveis para crianças e adolescentes, para contato@rebrinc.com.br. 

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