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Menos shopping, mais natureza

Menos shopping, mais natureza

 

Por Silvia Adrião – Diretora pedagógica da Scuola Italiana Eugenio Montale (SP) e integrante da Rede Brasileira Infância e Consumo

Nos fins de semana, feriados e até mesmo durante as férias escolares, muitas famílias buscam opções de lazer para a criançada que está em casa. É preciso, antes de qualquer coisa, dizer que não há problema algum em ficar em casa. Deixe a criança ter tempo para o nada e não se sinta culpado (a) por isso. Não precisamos entreter todo o tempo as crianças, o próprio esforço de fazer isso já torna tudo muito estimulante demais e banaliza as atividades que poderiam ser esporádicas e especiais. Claro, um ficar em casa de forma equilibrada. Se possível, controlem a televisão e os eletrônicos. Deixem brinquedos e materiais criativos ao alcance da criança e tenham certeza que ela irá brincar e viver momentos de alegria e aprendizagem. Se possível também, convidem amigos ou primos, promovam o encontro entre crianças. Com tempo e companhia, está tudo resolvido. Lembro-me, com ternura, das infinitas tardes que ficava em casa com minha irmã brincando com bonecas ou, das mais saudosas e deliciosas tardes que passávamos no quintal da casa da minha avó brincando de esconde-esconde com os primos (tive este privilégio: “quintal da vó”).

Agora, se a ideia for fazer um passeio, o que também é muito bom, deem preferência aos lugares onde a criança entrará em contato com elementos da natureza. Folhas, gravetos, areia, água… São elementos que possuem em si uma carga de encantamento e ludicidade. Com a natureza ao alcance e uma (ou mais) criança para brincar, não precisa de mais nada. Incríveis vivências estarão garantidas.

É muito comum ver, nestas épocas, famílias que levam as crianças aos shoppings para brincarem nas áreas temáticas infantis que estes lugares preparam. São armadilhas que levam ao consumismo e que afastam as crianças das formas mais elementares e saudáveis de brincar. Lugar de criança não é o shopping, um ambiente fechado e artificial demais. É compreensível que vez ou outra as famílias precisem ou queiram visitar um shopping, mas não façamos deste lugar o principal ambiente de diversão e interação com o mundo para uma criança. Existem na cidade diversas opções de parques e praças que podem ser exploradas e que podem se tornar um grande quintal de brincadeiras. Quando expomos as crianças demasiadamente aos eletrônicos, ao consumismo e a estímulos desnecessários, criamos um efeito contrário do esperado, gerando na criança desinteresse rápido pelas coisas. Aquele estímulo exagerado promove uma satisfação momentânea, mas logo a criança quer outra coisa e outra e outra… Quando permitimos à criança viver o chamado ócio criativo, lento, explorando a natureza e a simples convivência com o seu semelhante, inúmeras aprendizagens ocorrem e a sensação de plenitude será mais permanente.

 

Foto: Pixabay

 Colunista Rebrinc - Silvia Adrião

Saiba mais sobre a colunista Silvia Adrião:

Sou pedagoga, especialista em Construtivismo/Educação e Mestre em Sociologia da Educação.Tenho mais de 20 anos de experiência no trabalho com crianças e na defesa da cultura infantil. Sou pesquisadora e apaixonada por Literatura infantil e pela abordagem de ensino Italiana de Reggio Emilia. Encontrei na Rebrinc um espaço para ampliar o debate e o alcance das reflexões sobre infância.

Fale com a autora: contato@rebrinc.com.br

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